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Brasília tem melhora nos casos de dengue e população elogia atendimento das tendas


Depois de a capital ter enfrentado uma severa epidemia de dengue, o cenário é de uma curva descendente no número de casos. De acordo com o último boletim da Secretaria de Saúde (SES-DF), o Distrito Federal está com 257.853 casos notificados, 239.983 casos prováveis, 308 óbitos e outros 57 em investigação.

Ao Correio Braziliense, a SES-DF confirma a queda das ocorrências e destacou que a diminuição vem se mantendo há mais de dois meses, o que era esperado devido ao período do ano em que, historicamente, o número cai.

“Nosso pico de casos foi na semana epidemiológica 8, que corresponde à segunda metade de fevereiro. De lá para cá, observa-se uma queda progressiva no número de notificações, apesar de estar em níveis acima da média dos últimos anos”, explica o médico infectologista e chefe de Mobilização Institucional e Social para Prevenção de Endemias da SES-DF, Victor Bertollo.

Victor detalha os motivos para essa redução. “Deve ser observada a sazonalidade habitual da dengue. Neste período do ano, ela tende a cair, justamente pela questão do clima. O tempo frio e seco não é favorável à replicação do mosquito e isso diminui bastante a transmissão do vírus”, completa.

Cuidados 

O médico infectologista Victor Bertollo pondera que, quando se fala em redução de casos, é necessário um pouco de cautela, tendo em vista que abrange queda, estabilidade e ascensão. “Existe um intervalo de tempo da ocorrência do caso e a sua entrada no sistema de informação. Podemos falar que, hoje, está em tendência de queda, porque há mais de dois meses se observa essa diminuição de notificações e atendimentos. E isso traz uma tranquilidade em dizer que estamos em queda”, reforça.

O infectologista ressalta a importância de as pessoas manterem os cuidados, mesmo na época não favorável à reprodução do vírus. “É importante neste período que as pessoas continuem os cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti. O período de chuva  aumenta os locais onde os mosquitos podem depositar seus ovos, mas os criadouros artificiais, como caixas d’ água e pratos de plantas, ainda favorecem a replicação. Não pode haver um relaxamento. O ideal é que chegue à próxima sazonalidade, favorável ao mosquito (período chuvoso), com a menor quantidade possível de criadouros”, enfatiza.

Tendas da dengue

As tendas de hidratação que vêm atendendo a população com sintomas da dengue, desde abril, têm a aprovação da população do Distrito Federal. Elas começarão a ser desmobilizadas no próximo dia 9 de junho. Conforme o cronograma, esses equipamentos serão descontinuados gradativamente. O contrato prevê que, a partir do início de funcionamento de cada uma, a desmontagem ocorra com 60 dias.

Segundo a SES-DF, as atuais tendas realizaram 48.110 atendimentos, sendo 30.711 para adultos e 17.399 de crianças (números deste final de semana). No total, foram realizados 42.104 exames e 548 pacientes foram transferidos das tendas para unidades de pronto-atendimento (UPA) e hospitais da rede pública.

Pessoas com sintomas da doença atualmente contam com onze tendas de atendimento, sendo três (Gama, Guará e Paranoá) funcionando 24 horas, e oito (Planaltina, Varjão, Plano Piloto, Vicente Pires, Arniqueira, Taguatinga, Samambaia e Ceilândia) com atendimento das 7h às 18h.

Aprovação da população

A professora Darsanes Moura, 52 anos, está há mais de uma semana em tratamento para a dengue e sofre com a doença. “Fiquei 10 dias internada. Primeiro, tive dor de cabeça e achei que não era nada de mais. No outro dia, piorou, tive muita tontura , enjoo, inchaço e fui  correndo para o hospital”, relata.

Assustada com os sintomas, Darsanes procurou a tenda do Paranoá para realizar exames. “Vim aqui pelos relatos de pessoas próximas a mim sobre o bom atendimento e a praticidade”, observa, comentando a queda no número de casos. “Não sei dizer se aumentou ou diminuiu, mas o que percebi foi que, nos dias em que fiquei internada, foram muitas pessoas com dengue chegando para serem internadas também”, relembra.

A professora Dasanes Moura, 52 anos, está a mais de uma semana em tratamento para a dengue e conta o que tem passado com a doença. Foto: Alessandro de Oliveira

Rose Inácio, 56, moradora do Itapoã, diz que a filha Débora, 12, está sentindo os sintomas desde a ultima terça-feira. “Ela chegou da escola com febre e dor de cabeça. Na quarta-feira, tive que levar remédio para ela na escola, pois não melhorou. Começou a ter diarreia e, então, busquei atendimento”, relembra.

Com a filha recebendo a medicação na tenda, Rose espera agora por uma recuperação. “Para nós, mães, é muito triste ver o filho sofrendo”, destaca. “Hoje foi muito tranquilo e rápido para conseguir atendimento. Fiquei surpresa em não ter muitas pessoas buscando por auxílio”, conclui.

Rose Inácio diz que a filha Débora, 12, começou a sentir sintomas na última terça-feira. Foto: Alessandro de Oliveira

Vacinação

De acordo com a SES- DF foram imunizadas 63.547 pessoas com a primeira dose da vacina contra a dengue e outras 6.276 tomaram a segunda dose, na faixa etária de 10 a 14 anos. A cobertura vacinal é equivalente a 33,4% para a primeira dose. A vacina da dengue é feita em duas doses, com intervalo de 90 dias entre elas. Segundo a SES-DF, há cerca de 177 mil crianças e adolescentes com essa idade, porém, há uma taxa de incidência alta nessa faixa etária e a vacina só pode ser tomada seis meses após a doença. Pais ou responsáveis devem comparecer aos pontos de imunização com documento de identificação e a caderneta de vacinação.

Fonte: Correio Braziliense